Provas Digitais
Análise técnica e jurídica especializada em evidências digitais para defesa criminal. Identificamos irregularidades, contestamos laudos e produzimos pareceres que fazem a diferença no resultado do processo.
O que são provas digitais?
Provas digitais são evidências em formato eletrônico — mensagens, arquivos, registros de acesso, metadados, extrações de dispositivos — usadas para sustentar teses no processo penal. Sua validade jurídica depende diretamente dos procedimentos técnicos adotados na coleta, preservação e apresentação.
Tipos de evidência digital
Dispositivos Móveis
Extração e análise de smartphones, tablets e wearables
Interceptações
Telefônicas, telemáticas e análise de registros de comunicação
Mensagens e Apps
WhatsApp, Telegram, Signal, e-mails e redes sociais
Armazenamento em Nuvem
Google Drive, iCloud, OneDrive e serviços similares
Documentos Digitais
PDFs, planilhas, contratos e registros eletrônicos
Metadados e Logs
Registros de acesso, geolocalização e trilhas digitais
Tipos de evidência digital e sua força probatória
Nem toda evidência digital tem o mesmo peso jurídico. A validade de cada tipo depende diretamente dos procedimentos de coleta, preservação e apresentação.
| Tipo de Evidência | Base Legal | Cadeia de Custódia | Confiabilidade | Admissibilidade |
|---|---|---|---|---|
| Print unilateral | — | Sem controle — produzido unilateralmente, sem lacre ou hash | Baixa | Facilmente impugnável — ausência de cadeia de custódia e metadados |
| Ata Notarial | Lei 8.935/1994 | Fé pública do tabelião — não preserva metadados técnicos do dispositivo | Média | Boa presunção de veracidade, mas passível de contestação técnica |
| Extração Forense | CPP, arts. 158-A a 158-F | Completa — hash SHA-256, lacre, termo de coleta, log de manuseio | Alta | Tecnicamente mais robusta — preserva estrutura, metadados e dados deletados |
| Dados de Provedor | Marco Civil, arts. 22–23 | Documentada — obtida por ordem judicial com rastreabilidade de origem | Alta | Sólida — dados originários autenticados diretamente pelo provedor |
Riscos que comprometem a prova digital
Prints sem cadeia de custódia
Capturas de tela apresentadas sem registro de origem, autenticação ou protocolo de preservação são facilmente contestáveis e podem ser excluídas do processo.
Celular acessado de forma inadequada
Extração de dados de dispositivos móveis sem autorização judicial ou sem observância dos procedimentos técnicos legais contamina toda a prova obtida.
Arquivos em nuvem sem preservação
Dados armazenados em serviços de nuvem acessados ou copiados sem os procedimentos corretos de preservação perdem valor probatório e podem ser questionados.
Extrações mal interpretadas
Laudos periciais com erros de interpretação técnica ou metodológica podem ser contestados com um parecer técnico especializado da defesa.
Dados descontextualizados
Mensagens, registros e logs apresentados fora do seu contexto original distorcem a realidade dos fatos e devem ser objeto de análise crítica pela defesa.
Cadeia de custódia da prova digital
A Lei nº 13.964/2019 (Pacote Anticrime) instituiu no Código de Processo Penal as dez etapas obrigatórias da cadeia de custódia. Qualquer ruptura documental pode comprometer a confiabilidade da prova e ser objeto de impugnação técnica pela defesa.
Reconhecimento
Art. 158-B, I, CPPIdentificação e classificação da evidência digital com descrição precisa do dispositivo ou dado.
Isolamento
Art. 158-B, II, CPPPreservação do estado original por meio de técnicas antiescrita e bloqueio de conexões externas.
Fixação
Art. 158-B, III, CPPRegistro fotográfico, descritivo e por hash criptográfico (MD5, SHA-256) do material apreendido.
Coleta
Art. 158-B, IV, CPPAquisição forense bit a bit por profissional habilitado, com documentação de ferramenta e metodologia.
Acondicionamento e transporte
Art. 158-B, V e VI, CPPEmbalagem adequada com lacre numerado e cadeia documental de transferência entre custodiantes.
Recebimento e processamento
Art. 158-B, VII e VIII, CPPConferência de lacres, nova verificação de hash e início do processamento pericial com registro em livro próprio.
Armazenamento e descarte
Arts. 158-B, IX, X e 158-F, CPPGuarda em ambiente controlado até decisão judicial definitiva sobre descarte, devolução ou destruição.
Ferramentas forenses de referência
Trabalhamos com ferramentas padrão de mercado e analisamos laudos produzidos com estas soluções, identificando limitações conhecidas e eventuais desvios metodológicos.
Cellebrite UFED
Padrão de mercado para extração física e lógica de smartphones, usado por autoridades em todo o mundo.
Magnet AXIOM
Suíte forense para análise combinada de mídias, nuvem e dispositivos móveis com correlação de artefatos.
Oxygen Forensic Detective
Ferramenta especializada em extração e decodificação de aplicativos, incluindo mensageiros criptografados.
X-Ways Forensics
Solução avançada de computação forense para análise profunda de sistemas de arquivos e recuperação de dados.
Autopsy / Sleuth Kit
Plataforma forense de código aberto, reconhecida pela auditabilidade do processo investigativo.
Wireshark
Análise de captura de pacotes para investigação de comunicações em rede e interceptações telemáticas.
Base normativa aplicável
A análise técnica observa tanto a legislação processual brasileira quanto as normas técnicas internacionais reconhecidas para perícia forense digital.
Código de Processo Penal
- Art. 158-A — definição de cadeia de custódia
- Art. 158-B — 10 etapas da cadeia de custódia
- Art. 158-C — responsável pela coleta
- Arts. 158-D a 158-F — acondicionamento, custódia e descarte
Normas técnicas internacionais
- ISO/IEC 27037:2012 — identificação, coleta e preservação
- ISO/IEC 27041:2015 — garantia de adequação do método investigativo
- ISO/IEC 27042:2015 — análise e interpretação de evidências digitais
- ISO/IEC 27043:2015 — princípios e processos de investigação
- NIST SP 800-86 — Guia de Integração de Forense em Resposta a Incidentes
Como atuamos
O escritório realiza análise técnica independente de todas as evidências digitais do processo, identificando irregularidades na cadeia de custódia, erros metodológicos nos laudos periciais e dados descontextualizados pela acusação.
Trabalhamos com ferramentas forenses profissionais e metodologia reconhecida internacionalmente para produzir pareceres com solidez técnica e força jurídica.
O que entregamos
- Parecer técnico-jurídico sobre validade das provas
- Análise crítica de laudos periciais oficiais
- Elaboração de quesitos periciais especializados
- Relatório de investigação defensiva digital
- Documentação de cadeia de custódia
- Apoio técnico em audiências e sustentações
